“DAQUELES QUE NINGUÉM MAIS CANTA”, SAMBA DE LÉO FÉ E GOGÓ DE OURO, VENCE FESTIVAL DE PARTIDO ALTO DO MUSEU

Léo Fé recebe de Nilcemar Nogueira, fundadora do Museu do Samba, o troféu de campeão

 

O Museu do Samba realizou na noite de ontem (domingo, 29 de agosto), a grande final do Festival de Partido Alto. O campeão foi o samba “Daqueles que ninguém mais canta”, parceria do carioca Gogó de Ouro e do curitibano Léo Fé. A obra foi defendida por Leó Fé, que se apresentou acompanhado do grupo Tempero Carioca. Os compositores do samba campeão receberam o Troféu Aniceto – nome que homenageia o fundador do Império Serrano que é referência deste gênero musical – e um prêmio de R$ 1.500,00 em dinheiro.

O segundo lugar ficou com os compositores Haroldo César e Wantuir Cardeal, autores de “Vendendo Tudo”. O terceiro colocado foi o samba “Preto Favela”, de Pâmela Amaro e Marcelo Amaro. Eles também receberam prêmios em dinheiro:  R$ 1.000,00 para o segundo e R$ 500,00 para o terceiro.

O Festival de Partido Alto teve um total de 79 sambas inscritos. A iniciativa faz parte do projeto ‘Partido alto: renovação e tradição’, desenvolvido pelo Museu do Samba com apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS. A final foi transmitida em live pelo Canal Fitamarela, no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=T0vEGUzWjyw&t=2511s).

 

BREVE PERFIL DOS COMPOSITORES CAMPEÕES

Foi assistindo a um documentário sobre Aniceto do Império, aos 15 anos de idade, que Léo Fé teve o primeiro contato com o partido alto. Duas décadas depois, na noite de 29 de agosto de 2021, o compositor curitibano sagrou-se o grande campeão do Festival de Partido Alto do Museu do Samba, no Rio de Janeiro, e levou para casa o Troféu Aniceto – um prêmio batizado justamente com o nome daquele que o fez trilhar o caminho dos versos improvisados.

“Daqueles que ninguém mais canta” é o título do partido vencedor, uma parceria de Leó com Gogó de Ouro, veterano sambista carioca radicado em Curitiba desde a década de 1980. “A letra surgiu como uma brincadeira após uma roda de compositores, e saiu em dois minutos; Gogó mandou a primeira frase, eu emendei a segunda e assim fizemos um samba para falar sobre e valorizar o partido alto”, conta Léo.

A apresentação do sambista arrebatou os jurados do festival. No palco, Léo apresentou-se no melhor estilo partideiro. “A letra do samba é só refrão, todo o resto foi versado na hora, de improviso”, explicou o vencedor.  “Eu não me liguei na vitória, estava feliz só de ter sido escolhido finalista entre 79 sambas e estar presente no palco com essa turma que é referência para mim, como o Marquinho China e o Serginho Procópio – versar com eles foi uma honra”, disse.

Pode-se dizer que Léo Fé é um militante do samba. Em Curitiba, ele fundou o “Samba do Compositor Paranaense”, que há 11 anos tem sido um espaço para apresentação de composições autorais em rodas de samba semanais – rotina alterada pela pandemia –, que já resultou em um CD (gravado) e tem outro à espera de apoio para ser lançado.

Dez anos atrás, ele criou também o “Samba do Sindicatis” (nome que faz referência ao “jeito Mussum” de falar), definido por Léo como sendo um samba de pesquisa. É uma roda exclusiva para sambas de terreiro que já recebeu referências do gênero como Tantinho da Mangueira, Waldir 59, Monarco e Nelson Sargento. Léo fundou ainda o Boca Negra, um bloco que desfila apenas com sambas de terreiro, “nos moldes dos carnavais de 1920”, segundo o artista.

Gogó de Ouro, por sua vez, é inspiração para várias gerações de sambistas no Paraná – incluindo o próprio Léo Fé. O capoeirista carioca que trocou o Rio por Curitiba e a capoeira pelo samba fez história na capital paranaense e transformou-se na maior referência do samba daquele estado. Gogó de Ouro chegou a ser preso pela polícia por apresentar samba em praça pública e criou na cidade um respeitado festival do gênero, o lendário e tradicional “O Dia Nacional do Samba” – tudo isso na agitada década de 1980. Não é exagero dizer que a história do samba no Paraná se divide em antes e depois da chegada de Gogó de Ouro em Curitiba.

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