Emoção marca gravação de depoimentos de dona Marsilia da Portela e Valci Pelé ao Museu do Samba

O acervo do Museu do Samba, que já conta com quase 150 depoimentos de personalidades, ganhou mais dois importantes registros, na última terça-feira (16), com as entrevistas da destaque de luxo Marsilia Lopes e do passista Valci Pelé.

A emoção tomou conta dos dois convidados. A primeira a eternizar suas memórias foi a portelense Marsilia Lopes, de 85 anos, destaque há mais tempo em atividade no Carnaval.

Dona Marsilia Lopes, da Portela, foi entrevistada pela historiadora Nathalia Sarro, da equipe do Museu | Foto: Raphael Perucci

Acompanhada de um dos filhos, o compositor Neyzinho Lopes, a sambista começou lembrando sua chegada à Portela, na década de 1960. Em seguida, falou um pouco sobre o significado do carnaval em sua vida. “Me sinto uma rainha quando subo na alegoria. Ser destaque é um sonho que eu me permiti viver. É a maior alegria da minha vida”, resumiu.

Dona Marsilia também destacou o marido, o saudoso compositor portelense Antônio Alves, e fez questão de relembrar a boa convivência com destaques de outras agremiações. Por fim, ela exibiu fotos preciosas de sua coleção particular.

O atual coordenador da ala de passistas da Viradouro, Valci Pelé, foi o segundo a dar depoimento. Com passagens por escolas como Vila Isabel, Mocidade, Caprichosos e Portela, ele iniciou a entrevista detalhando sua chegada ao Carnaval, por intermédio da lendária passista Nega Pelé.

Premiado duas vezes com o Estandarte de Ouro, ele falou, ainda, sobre o orgulho de representar a dança do samba e da missão de difundir o legado de mestres como Claudionor, Jeronymo da Portela, Ciro do Agogô, Carlinhos de Jesus e outros ícones. Ele também doou um livro de sua autoria para o acervo.

“Sinto-me lisonjeado e emocionado em prestar depoimento para o Museu do Samba. Pude falar sobre a minha trajetória, a publicação dos meus livros e da minha chegada ao G.R.E.S. Unidos do Viradouro, escola na qual tive o acolhimento e que me fez renascer. E o mais importante foi poder me nutrir de cultura naquele templo sagrado”, escreveu Pelé em suas redes sociais.

Consagrado passista Valci Pelé durante depoimento ao Museu do Samba | Foto: Raphael Perucci

A ação faz parte do projeto “Memória das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro”. Monarco, Vilma Nascimento, Tia Surica, Maria Augusta, e os saudosos Zeca da Cuíca, Djalma Sabiá, Delegado, Edeor de Paula, Tantinho e Niltinho Tristeza são alguns dos que já tiveram suas biografias registradas em vídeo. Antes de Marsilia Lopes e Valci Pelé, os últimos entrevistados pelo Museu do Samba foram o Ogan Bangbala, o escritor e pesquisador Haroldo Costa e o Mestre Faísca, respectivamente.

O projeto reúne fontes inéditas para livros, filmes, trabalhos acadêmicos e pesquisas em geral, além de preservar a memória do samba do Rio de Janeiro a partir das vozes de seus protagonistas. Para ter acesso ao material, basta procurar o setor de pesquisa da instituição, pelo e-mail contato@museudosamba.org.br

Integrante das atividades comemorativas pelos 20 anos do Museu do Samba, a série conta com o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Ministério do Turismo e Governo Federal.